quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Prelúdio da velhice – Eu II

Solidão, tristeza, vazio, insônia, dor!
Assim espero com desprezo a minha velhice.
Enfado sexual, mental, físico, social...
Um desprazer “confortado” pelo desejo de estar.
Casa vazia, sem crianças, esposa.
E a saudade dos dias de glória, de amores e de amigos.
Tornei-me semelhante a uma casa de aranha na parede.
Um velho chato, “careta”, que ouve mal...
Mais que traz consigo o desejo de contar suas aventuras joviais,
Ninguém me ouve, ninguém quer ouvir!
Vejo minha juventude em TV preta e branca,
Ouço o som que produzi com critcidade... Ninguém mais a ouve.
Fotos colegiais, da universidade, muitas das pessoas nem lembro mais.
Alguns morreram, outros sumiram...
Cadê a fonte da juventude?
Cadê minha família, esposa, amigos?
Salário gasto em remédios e uma baba!
Meus filhos querem a herança...
E eu só queria ter o que perdi... Perdôo!

[Gilmar Lima]

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A teia da globalização



Partindo do renascimento como um marco genitor do capitalismo e sua mundialização, a racionalização do mundo passou a um novo modo de organização da cultura ocidental. Figuras como Newton e Descartes formularam leis que contribuíram à matemática, engenharia e mecânica. Modificando o modo de produção industrial e por sua vez na organização social, anteriormente servil. Passamos pelo o iluminismo, Revolução industrial, diversos momentos históricos que configuraram um novo mundo industrializado, capitalizado nas relações.

Após o modelo fordista e toda a configuração da indústria mecânica que reinou até a década 70. Passamos à terceira revolução industrial, após a crise do petróleo, marcada pelo início era da microinformática. Novos aparatos técnico-científicos especializados são presentes desde então, modificando as relações e a produção. A robótica reduziu uma quantidade surpreendente de trabalhadores a um número restrito e especializado, modificando também, os meios de comunicação, reconstruíram a idéia de espaço na cabeça das pessoas. “Todo” lugar é acessível e consumível.

A globalização (nome surgido na década de 80) não significa exclusivamente aquela idéia de morte da cultura a dar lugar ao modo estadunidense de ser: Consumista, ouvir rock n roll, usar jeans, comer um Mac e ver um filme de Hollywood como aponta o Viscentini. A globalização junto à microeletrônica e a internet mudaram a lógica de mercado e informação. De que forma? Vejo da seguinte forma. Pegamos o indivíduo, por exemplo, damos a ele a possibilidade de percorrer todo o mundo em poucos Clicks. Ter sua língua traduzida por um sistema e um poder de compra em que sua moeda local é automaticamente convertida à moeda de outro país.

A terceira revolução industrial, mundo pós moderno, globalização, ou seja lá como chamamos a configuração desse marco histórico do qual estamos inseridos. Estamos em um adensamento espacial, somos bombardeados por informações constantes. Vindas de diversos lugares e conectadas à infinitas informações de paginas e arquivos, não é a toa que falamos de web ou rede associada à microeletrônica. Ela modificou a forma das relações sociais de comunicação, seja no Massenger, Skype, Facebook, Twiiter, etc. Temos uma organização do trabalho pautada na informática em sua maior parte. Seja no caixa do supermercado à softwares financeiros, Biotecnologia, indústria Química, Geoprocessamento e por ai vai.

Antes que algum “ crítico” venha me apedrejar. Refiro-me nesses casos anteriores, aos indivíduos que estão inseridos. Àqueles que não estão inseridos, o Milton Santos 2000 no seu “Por uma outra Globalização” se refere a outra face gerada pelas consequências da microinformática e tecnologia conseqüentes do capitalismo: Desemprego, fome, exclusão, já que essa lógica “ocidentalizada” exige uma especialização por sua vez, não adquiridas por todos, reforçou-se a precarização do trabalho a uma nova eficiência fragmentada e selecionada de trabalhadores (Paul Singer). Esse é um braço para outro discurso.

Então, meu objetivo nesse breve texto, foi trazer um pouco da implicação desse instrumento e veículo da informação àqueles que estão inseridos nela. Transformando a noção de espaço do qual, não temos uma homogeneização da cultura, mas um veículo de disseminação de culturas através de aparelhos que possuem multi funcionalidades, seja ao trabalho, consumo ou lazer. Já que, não pode-se dizer microcomputador ou laptop isoladamente, mas diversos aparelhos que se transformam constantemente e visam novas funcionalidades condensadas, a serem adquiridas e destinadas enfim, ao conforto.


Notas:

Parte das informações foram extraídas da entrevista com Willian Vicentini (Professor de geografia da USP e autor de inúmeros livros didáticos) na REVISTA FILOSOFIA. NUMERO 19. Editora: Escala educacional.

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização - do pensamento único à consciência universal. São Paulo: Editora Record, 2000.

Fonte da Imagem: www.forumpcs.com.br

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Hotel

-Olhem o morto! Ali no primeiro andar!

-De onde surgiu essa pobre alma? Porque suicidou-se?

As pessoas começaram a se aglomerar na porta do hotel assim que a notícia havia se espalhado. Na capital do sertão sergipano havia passado um alemão, que estava à 2 meses antes de arrancar a própria vida.

Sempre viajante, se instalava em diversos lugares. Trabalhava como representante de uma marca de fármacos. O nome desse personagem era Matthias Goertz. Solteiro, 36 anos, não tinha filhos, Haltern am See, pequena cidade da Alemanha era o seu lugar de origem. Ele estava passando um período pelo interior de Sergipe, levara além do trabalho, sua solidão, as angustias e os questionamentos. Depois de um dia inteiro de transito entre os hospitais, farmácias e clinicas. Matt havia marcado com a ortopedista de uma pequena clinica para jantar, o nome dela era Cláudia. A “simpatia” era presente no primeiro momento de encontro entre os dois:

-Caro amigo, não vou adotar a porcaria da marca do seu remédio. Não confio nesse laboratório. Possuem vários efeitos colaterais, o preço é alto e será um prejuízo grande para os meus pacientes. Você não para de insistir em me fazer adotar esse produto. Não quero, mas aceito aquela proposta do jantar da semana passada.

- Claro, discutiremos melhor essa questão do remédio, apesar de vários gênios da Universidade de Berlim não te convencerem, falaremos outras coisas. Agora vou às cidades vizinhas, a noite estarei aqui para o jantar.

-Passar bem.

Não parecia, mas Matthias estava cheio, muitas coisas já não acreditava como relacionamentos, tinha poucos amigos, havia namorado com poucas garotas. Aquele era o único trabalho que sustentaria o seu resto de carne sobre a terra e vendo a paisagem no ônibus em direção a outra cidade, ele pensa:

- Já não suporto mais, vou para Munique trabalhar no escritório da STW no próximo ano. Sair com aquela arrogante pode não ser uma boa idéia. Terminando o expediente vou comprar uma cachaça brasileira para “encher a cara” como dizem eles. Há muito tempo venho ficando paranóico e impaciente com tudo isso. As poucas pessoas que me restam estão distantes. Não sei como esse pessoal da America latina se prende muito à Deus, ele morreu a muito tempo, ficam segurando suas ilusões numa vida fajuta de existência. Não existe mais céu ou inferno, quero dizer, nunca existiu. Se preparem para a vida ou se preparem para o nada! Vou comer aquela Cláudia, chegarei bêbado e cuspirei na cara daquela vadia.

12 horas após o encontro, Cláudia espera Matthias no restaurante, a médica solitária está aguardando o possível homem do qual imaginaria algo:

-7 e meia, aquele homem não chegou, está por ai vendendo aquela porcaria, mas é uma gracinha, imagino que ele tenha algo interessante para conversar, pelo menos vou exercitar meu pobre alemão. Ops!

-Desculpe a demora, Cláudia, você está bela hoje, mas seus olhos de cansaço não me enganam. Você quer ir logo para casa. Não?

-Senhor Goertz, errado. O que te faz ser assim? Um péssimo ator. Estou querendo conversar, queria Sab...


-Cláudia! Estou de saída, marquei com outra mulher, enjoei da sua cara!

....

- Seu Idiota de merda!

Assim, Matt sai do restaurante, bêbado e inconstante. Vendo sua cama rodar, percebe que tudo já carece de um propósito. Começa a perguntar-se do sentido ide suas ações.

-Pra que me entregar à volúpia conflituosa daquela mulher? Depois estarei tão solitário e vazio quanto ela. Amanhã será como aqueles velhos dias.

Logo cedo, levanta-se numa manhã nublada, ainda soprando uma brisa gelada, parecida com a de Haltern Am See. Decidiu não trabalhar. E durante a tarde, a camareira do hotel encontra seu corpo enforcado através da janela. O alemão que trazia sua dor, não viu mais nada que o sustentasse naquele quarto. Apostou a saída para algo desconhecido, o nada, o retorno ou quem sabe, o céu e o inferno.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Espaço e tempo

Ando pelas ruas e praças
tudo é muito novo, reconfigurado
Os olhares estranhos me observam
retribuo, pois, não os conheço
Poderia achar muitos amigos de bobeira
Agora, eles estão em outros lugares
fragmentados e distantes
O espaço do aqui que víamos com afeição,
Agora nos tornaram alienígenas.
Minha geração passou,
Outras crianças e jovens reconstroem uma nova época
Minha casa agora é uma Clínica
As Avenida com as arvores velhas da minha infancia não existem mais
A pedra moderna reconfigura novas imagens
Matando os velhos, talvez ainda novos
O novo não espera, assim espanca e arrebenta
O que antes memorava uma paisagem, um pensamento, uma felicidade.
O tempo muda o espaço,
Recria significados , fere muitas almas
O que nos prendiam, roubaram
Transito nesse véiculo de mudanças
Busco me readapatar, Lembro o que tinha,
Quero o novo, não posso ter
Não sou nenhum, ao mesmo tempo sou todos em transformação.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ó Dezembro que aproxima-nos do ciclo de um ano, do festejo do calendário, das promessas, das metas ,do compromisso .

No Hemisfério Sul, o calor tropical é capaz de incendiar, mas, ainda não gera energia em suas células, apenas queima as peles mais velhas, o verde das folhas que não pára de transpirar ; a fonte límpida em moléculas.

As tradições se disseminaram em microespaços, em períodos curtos onde a arte se faz presente, como também os reencontros, os jogos, a dinâmica pós-moderna nordestina, na pequenina e jovem mulher .

Em meu coração ainda pulsa raízes que vêm de tão longe, ramificadas em cores, na multi-étnica dos tons da espécie, longíqua nas visões e caminhos, nos limites geográficos espaços e rios, na rede, no hipertexto, na informação-mundo via satélites.

Agradeço ao criador do movimento, infinito inexplicável que nunca nem tão cedo será alçado nas explicações humanas. . .

Peço ao futuro em festa , na comemoração anual, que fecha seu ciclo total, sagrado e profano calendário .

Dezembro, 2009. Nauta, in: Viajens. Livraria Digital.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Feira

-Olha a macaxeira, batata e inhame!

-Aqui! Aqui! DVDs baratinhos!
Danielzinho e Forrozão quarto de Milha,
Lady Gaga, Asas Morenas e Metallica!
2 reais cada!

-Remédio milagroso, 3 reais
Cura tudo! passe 4 vezes por dia
e adeus dor na junta, osteoporose, dor nas costas,
bico de papagaio, tuberculose e tudo mais!

-Ei moço! Ei moço! Me dá um real!

-Arreios de couro aqui, tudo que você precisar em couro!

- Candieiro, pote e e fogão em Barro!

Liquidação! Camisa da Nike, 80 real. Tênis Adidas, 150 real!

-Moça, quer um frete?
Sim menino, até o outro lado da cidade te dou 3 reais
-Tá certo

-Promoção! Promoção!
Tudo em aparelhagem eletronica!
Aparelho de DVD, Video Game, Celular e Iphone

-Olhe a maçã, laranja, pêra e Jaboticaba!

-Rifa-se uma moto, 1 real o bilhete!

-Dá uma esmolinha pelo amor de Deus!

Enquanto esse cruzamento de realidades soam no território da feira, nas barracas de rocha divulgam:

- Notebook da Apple, Dell e Positivo.
Tudo em 10 vezes sem Juros aqui no Gbarbosa,
nossos funcionarios irão te atender, é só chegar!

-Promoção! leite em pó de 500 Mg e manteiga 150 Mg da Natville, por apenas 7 reais.

-Cama, sofá e Guarda-roupa, monte sua casa por um preço pequinininho! Aqui na movelaria Glória.

Um encontro:

-Olá comadre, tudo bem? como anda a família?
-Tudo certo. E no seu sítio, como tá? choveu por lá esses dias?
-Não, mas com fé em Deus e São Pedro, vai dar um bom feijão nesse ano!
-Vamo andando Mazé, que o caminhão vai sair daqui a pouco,
antes de voltar pra roça vou passar no ali na "Norma" pra comprar o tamanco na promoção de 200 real!
Semana passada comprei um Nokia N97 de 8 GB pra minha fia, guarda foto que é uma beleza, só compro coisa boa!
...

-Olhe a maçã, laranja, pera e jaboticaba!

-Carne de boi, frango e peixe!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Brasil

Recenseador:

-Quantas pessoas moram na casa?

Mulher:

-9 pessoas moço. Eu, meu marido e meus sete filhos.

Recenseador:

Sabe ler e escrever?

-Não moço. Ninguém aqui sabe.

O marido consertando um motor velho resmunga:

-Porra de saber ler. Nunca vi isso trazer futuro pra ninguém, tsc!

Recenseador:

-Qual a renda da família?

Mulher:

-Nenhuma, vivemos de ajuda!

Ela olha para o rapaz com a esperança mais profunda de uma alma cristã à busca da salvação. O jovem rapaz responde com palavras mudas. Nada podia fazer a não ser fazer-lhe perguntas friamente. Não pode sorrir, não pode chorar, não tinha nem um real no bolso, apenas sentir a miséria e preencher as questões. Ele se questiona com o que poderia fazer por essas pessoas. Não existe bolsa família nessa situação!

O humilde funcionário gostaria de obter alguma resposta, de preferência, daqueles que adoram salvar o mundo!

Tempos de máquinas.

                                                                                     Há alguns meses estive jogando um jogo chamado Stray,...