sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

XX: O SÉCULO DO TERROR - COMO A CRISE DE 1929 CONTRIBUIU PARA A II GUERRA

O século XX, foi um século de muitas mudanças e fortes tensões, das Revoluções Russas como descreve Daniel Aarão a partir das várias revoltas populares com a insatisfação perante o tzarismo , destaque para a Revolução Russa de 1917da industrialização alemã, da I Grande Guerra (1914 – 1918), o crack da Bolsa de Valores em 1929 em Nova Iorque, nos EUA, a II Guerra Mundial, e os conflitos entre os países do bloco capitalista versus o do bloco comunista, denominado Guerra Fria, que termina com a desarticulação da URSS em 1991 
As mudanças experenciadas pelas sociedades do século XX ficaram marcadas na história, foi o fim da Belle Époque. Período de temor das grandes nações, de uma corrida imperialista, fortalecimento econômico, concretização do capitalismo, afirmação da democracia, de fome, insegurança e guerras, marcado pelas incertezas. Um 'século sombrio' como denomina Francisco Teixeira: “sombrio no sentido de que as luzes brilhavam de forma intermitente, obscurecidas por períodos de escuridão e trevas... guerras, genocídios, pobreza de massas, extremismo e opressão... um lugar de purgação.”  
Não haviam mais colonias a conquistar e nesse processo de amadurecimento do capitalismo a luta agora era por novos mercados consumidores, formar novos impérios, onde as potências possam estender seus domínios, subjulgando e impondo ao outro suas maneiras e modos de ver a vida, através do uso da força e de avanço do poder bélico das potências. Ainda é um mundo marcadamente eugenico, onde os principais líderes políticos e boa parte da sociedade acredita na naturalização da desigualdade e não na sua criação/fabricação, como forma de legitimar o poder, na crendice da superioridade da “raça branca”, no etnocentrismo e no darwinismo social.   
Nesse contexto surge a 1ª Guerra Mundial. É uma guerra por buscas de novos mercados, ao mesmo tempo que aparecia o temor da ascendência de outras potências. Uma guerra de avanços nas “tecnologias da morte”, cartuchos metálicos, tanques, aero-naves, bombas de gás, submarinos onde se encerrará o cavaleirismo de guerras anteriores. É uma guerra imperialista de contenção e exibição do poder bélico. 
A economia agora mais do que nunca fomenta as desavenças, ordena e orienta o mundo, nesse contexto, o presente trabalho enfoca nas relações da Crise de 1929 com o desencadeamento do fascimo alemão, o Nazismo. 
Não foi uma simples crise,as crises são fatores comuns no mundo econômico e de fácil contorno e adaptação, foi um colapso no mundo, uma freada/parada brusca na prosperidade econômica do mundo, foi um colapso globalizante, que atingiu dos centros às periferias. A crise de 1929 começa com o “crack” da bolsa de valores em Wall Street na cidade de Nova Iorque, mas atinge dos países desenvolvidos aos subdesenvolvidos, tendo como marco o dia 29 de outubro “a terça-feira negra”. 

A taxa de desemprego vai a números inimagináveis, não havia uma previdência pública eficaz e as poupanças privadas praticamente somem. O protecionismo econômico foi um dos principais fatores que levaram a este colapso, este esforço em proteger seus próprios mercados, em uma balança comercial favorável, acabou por desenvolver este “demônio” que assombrou tantos países e levou tantos empresários e investidores ao suicídio. 
O colapso foi fator imprescindível para os fascismos e os desdobramentos da 'II Guerra Mundial', tornando Hitler no senhor da Alemanha. Os Estados Unidos saiu fortalecido ao fim da I Guerra enquanto a Alemanha que acabara de iniciar seu processo de desenvolvimento econômico se  ver refém das potências vencedoras e sufocada pelo Tratado de Versalhes com fortes cláusulas geográficas, militares, moral e financeira. É da crise e dos medos que se apropriam alguns indivíduos e se avança em muitos países uma esquerda radical, que diz restaurar o Estado com várias políticas públicas. 

No âmbito das relações políticas, passou-se a desejar governos fortes, autoritários, capazes de superar em eficiência os instáveis sistemas parlamentares. No plano ideológico, assistiu-se à valorização da força, da vontade e da ação... o inconformismo com o resultado da primeira Guerra Mundial voltou imediatamente à tona. (GONÇALVES, 2005, p169).  

O alemães agora juntam suas revoltas e insatisfações derivadas do resultado da I Grande Guerra, mais a crise do capital financeiro, a fome, o desemprego, para um Estado totalitário que coloca a culpa no gay, no judeu, no cigano, somados a discursos inflamados de resistência e de luta contra o inferior, a raça ariana teria que fortalecer sua honra, sua coragem e seu exército. O partido Nacional Socialismo (Nazismo) chega ao poder por vias “democráticas” e “legais” como analisa Francisco Teixeira, com apoio de boa parte da população, de movimentos conservadores e liberais. 
Os inimigos são eliminados logos com a ascensão do Nazismo, que busca revisões no Tratado de Versalhes, fortalece o Estado, articula um exército e toma medidas importantes para o reerguimento a economia alemã. A Alemanha realmente consegue se reerguer da crise de 1929 o que anima e fortalece o apoio de boa parte da sociedade. 
A crise de 1929 foi o estopim do fortalecimento de vários Estados totalitários em vários países no mundo, o antiliberalismo será tema nos discursos, com atenção para um exacerbado nacionalismo, centradas na figura de alguns homens, neste caso Adolf Hitler, tornando-se mártir de uma causa, centro de uma lota, a encarnação do Estado no próprio ser. Diante disso restam as desgraças, as mortes, o terror, o medo, este realmente foi um século “sombrio”. 

REFERÊNCIAS 

CONRAD, Joseph. O Coração das Trevas. Trad. Albino Poli Jr. L&PM, 2002.Filme recomendado: Paradise Now. (Dir. Hany Abu-Assad,  90 min., 2005). 

FERGUSON, Niall. A missão. In: Império: como os britânicos fizeram o mundo moderno. São Paulo: Ed. Planeta, 2010.p.134-181. 

FRIEDLÄNDER, Saul. A Wermatcht, a sociedade alemã e o conhecimento do extermínio em massa dos judeus. In:BARTOVOmer, GROSSMANN, Atina, NOLAN, Mary (Orgs).  Crimes de Guerra: culpa e negação no século XX. Difel,2005.p.53-66  

GONÇALVES, Williams da Silva. A segunda Guerra Mundial.  In: FERREIRA, J., REIS FILHO, D.A., ZENHA, C. (Orgs.). O século XX: o tempo das crises – revoluções, fascismos e guerras. Civilização Brasileira, 2005. 

REIS FILHO, Daniel Aarão. As revoluções russas. In: FERREIRA, J., REIS FILHO, D.A., ZENHA, C. (Orgs.). O século XX: o tempo das crises – revoluções, fascismos e guerras. Civilização Brasileira, 2005.p.35-60.  
   

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

A Natureza da Verdade


Que é a verdade se não uma capa que cobre perguntas ainda não possíveis de serem respondidas acerca de nossa existência? Ela é o conforto que, durante os momentos de maiores picos de nosso raciocínio, assegura que estamos certos, nos dando uma sensação de segurança e tranquilidade.
Possuímos muitas verdades. Temos uma verdade para enxergar o mundo, para dizer o que são as coisas e os objetos ao nosso derredor e outras, ainda, para acusar a outrem de não ver a nossa própria verdade. Ora, se o que acreditamos é a verdade, o que é a visão alheia se não engodo para nós e para eles mesmos? É assim que a lógica da verdade se desenvolve. Ela se firma em um único ponto, devastando tudo e todos que não estão de acordo com ela.
Em um planeta caracterizado por incontáveis manifestações culturais, onde muitas delas ainda nem foram sequer estudas ou conhecidas, estabelecer verdades é quase que um assassinato em série de muitos sistemas sociais. O que pensar, então, se transpormos esta linha de raciocínio para as dimensões do Universo? Bilhões de planetas, milhões de galáxias e só uma verdade! A nossa! Aqui neste planeta, sozinhos com nossa verdade! Um verdadeiro enfado para nosso pequeno intelecto, salvo aqueles que estão abraçados com suas verdades e cobertos com o aconchegante manto da sua própria zona de conforto.
As nossas verdades foram desenvolvidas há muitos anos e são sustentadas nas bases fortes da opressão. Durante séculos muitas pessoas foram perseguidas, trancafiadas e mortas em nome da verdade. Esta verdade, feita para afugentar o intelecto humano, foi e é um dos maiores males já criados. Nos dias de hoje ela não mata em “espetáculos públicos”, como fazia em tempos pretéritos, mas crucifica a sanidade intelectual do indivíduo tornando-o um “oprimido-opressor”. Já dizia Aldous Huxley, que uma ditadura perfeita seria capaz de destruir nossa própria vontade de buscar a liberdade. E não é isso que faz a ditadura da verdade?
Os portadores da verdade, a quem Friedrich Nietzsche chamou de “Pregadores da Morte”, são o principais agentes de opressão. São indivíduos extremamente apegados a vida! Tão apegados as coisas mundanas que esperam viver, mesmo depois de morrer! Ora, quem espera andar em ruas de ouro nos planos espirituais, que segundo a Teologia é desprovido da matéria como a conhecemos de fato, nada mais demonstra que uma vida de apego as coisas terrenas, e é aí onde está sua própria verdade.
Dentro de um contexto de fracassos, catástrofes, guerras e epidemias de doenças, pela qual já passou a raça humana, Zygmunt Bauman orientou que temos de questionar todas as premissas ditas inquestionáveis. Mas tente questionar uma verdade e fará um inimigo! Eis o dilema da natureza da verdade que não permite diversidade e que a quer proibir e igualizar tudo, até a forma de pensar. A esta razão, que coíbe outras maneiras de pensar, o filósofo austríaco Paul Karl Feyerabend dispensa dando um breve e irônico “Adeus” por ser totalmente desnecessária.
Esse texto não é uma verdade e nem deve ser tomado com tal. O mundo e o universo precisam de versões, não de verdades. Não dessa verdade que mata e que oprime, que prende e seduz, pois “não há fatos eternos, como não há verdades absolutas” (Nietzsche).

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Um "Olá" para você...

          Meus caros leitores, permitam uma palavra de saudação a todos e todas que acompanham estas publicações e que conosco compartilham sentimentos de paz, saúde e longevidade. É uma alegria muito grande redigir essas palavras a vocês, uma vez que compartilhar pensamentos é, em si mesmo, um pequeno sinal da parca liberdade que ainda nos resta. Por isso estou aqui para somar e expor mais uma pequena concepção acerca das diversas coisas que permeiam nossas vidas. 
          Juntos nós vamos refletir, nos posicionar e até mesmo "viajar". Faz parte! Convido todos vocês a estarem conosco sempre que puderem, sem compromisso mesmo, para compartilhar as mais variadas formas ver e pensar o mundo. 

Tchau, tchau!!! 

Janison Correia.

terça-feira, 24 de julho de 2018

O Porvir


Isso se trata de sentimentos!
Não adianta negar o mundo, somos agentes ativos e passivos dos acontecimentos diários, seculares e milenares das coisas que aqui acontecem. Sofremos e criamos ações que refletirão no modo de vida de alguém.
Quando nos emancipamos começamos a sofrer as ações que a o “mundo” nos impulsiona de forma consciente. Isso não será algo que nos aliviará a dor, talvez até a aumente, mas nos trará a possibilidade de escolher qual corrente seguir, permite que saiamos da forma em que fomos moldados, que sejamos o que queremos ser.
Há algum tempo escolhi a corrente dos concursos e tenho certeza que isso aliviará minha maior insegurança... a instabilidade. Mas com a labuta sempre ouvimos: “Mas aquela prima minha estudou só 3 meses e passou”, “Aline fez o concurso e trabalhava o dia todo, só estudava algumas aulas no youtube por cerca de 20 minutos e passou”, pois é nem todos usamos o mesmo tamanho de sapato!
As realidades são múltiplas, a nossa bagagem escolar diverge, nossa sorte não combina (sorte em concurso é cair o que estudamos)... as pessoas sempre vão tentar diminuir suas batalhas, as pessoas se incomodam com o movimento, com a não aceitação da comodidade. Os maiores vencedores da história possuem trajetórias de persistência, de lutas, da discordância com o senso comum.
Arnold  Schwarzenegger, Júlio César, Usain Bolt, Mandela… e inúmeros outros são modelos de pessoas que se rebelaram contra o status quo, não aceitaram viver no “mais do mesmo”.
Quem quer consegue? Depende... Nem tudo depende do esforço que podemos empregar, algumas coisas necessitam de influência externa, exigem “Q.I.” (Quem Indique), devemos ser razoáveis com nossas escolhas e encarar o fado do que está ao nosso alcance e entender o que está acima dos nossos esforços, pois nem tudo é discricionário, alguns atos são vinculados.
Por isso não aceite o ‘porvir como algo pronto que nos serve, crie dentro das suas possibilidades um futuro que te dê prazer, um futuro em que se veja feliz e não que seja somente uma engrenagem humana como narra Tempos Modernos do Charles Chaplin... seja você mesmo a mudança que precisa para o seu mundo.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Mal sucedido

Muito complexo entender os fatores que elevam o indivíduo ao ‘status’ de bem sucedido ou de um fracassado. Quando falo em “bem”, tento materializar a palavra, ou simplesmente ‘coisificar’, sendo este algo de fácil compreensão, visto que fazemos isto o tempo todo, com tudo.
Prefiro entender este termos pelo ponto de vista da psicologia, que se apresenta como um estado de espírito, meta ou ideologia. De outro ângulo esta mesma psicologia é utilizada como um modificador social, capaz de criar padrões, gerar imposições, que muitas vezes se associam em forma de manifestação econômica.
Começando pela última e talvez a que mais causa mazelas sociais. O fator econômico é muitas vezes o que mais provoca sensações, emoções e as vezes uma certa esquizofrenia. Na contemporaneidade é de fácil percepção a relação que fazemos de alguém como bem sucedido ou não. Na maioria da vezes é analisado simplesmente o ‘status’ econômico.
Pior do que a analise externa é a analise interna, aquela que fazemos de nós mesmos, principalmente quando o cenário se apresenta negativo. Quando não conseguímos desenvolver nossas aptidões baseadas nesse senso. Nos frustramos e desenvolvemos doenças como a depressão, angústia, o suicídio, sensação de fracasso.
É importante entender que a ideia de mercado (capitalismo) que temos passa despercebido pela maioria do povo, que não entendemos que este modelo econômico não trabalha com igualdades e sim o contrário, extremas desigualdades. O marketing, tido como lema e imposto pela maioria e até os desafortunados (alienados) é que “quem quer consegue”, esta talvez seja a maior ilusão de todas. Com isso surge uma competividade dantesca entre os pares e as mazelas quando como resultado nos deparamos com a sua face real, a negação, a não efetivação do Estado do Bem Estar Social.
Ser bem sucedido talvez seja um estado de espírito, um conhecimento profundo acerca das suas capacidades, do seu potencial. Vivemos como padrões, tipo uma construção pré moldada, e a redenção, esta dada ainda no plano da vida humana (humano demasiado humano), surge quando temos a oportunidade de refletir sobre aquilo que realmente importa, individualmente. Talvez e de fato o é, a etapa mais difícil é despir-se de todo esse concreto e aço que as convenções sócias nos moldam.
Vivemos num mundo onde se ampliam cada vez mais o número de “alternativos”, de comunidades alternativas, de pessoas que se negam ao uso do dinheiro, que produzem o que precisam ao invés de comprar o que não precisam. Não que esta seja a saída, a verdade arrebatadora, mas uma possibilidade dentre as tantas.
Tento individualizar a possibilidade, visto que, a visão de mundo, a lente que usamos para enxergar o nosso cosmos, a cosmovisão, é única, mas deve ser essa sua guia e não os padrões impostos pela socidade, pelo mercado. Sua felicidade é o seu estado de espírito e ser bem sucedido talvez seja só uma questão de opinião.


Tempos de máquinas.

                                                                                     Há alguns meses estive jogando um jogo chamado Stray,...